Reabsorção Cervical Invasiva: a doença silenciosa que pode destruir um dente sem causar dor
- Fernanda Demore
- Jun 26
- 2 min read
Reabsorção Cervical Invasiva (RCI) é uma condição rara, silenciosa e progressiva, capaz de comprometer seriamente a estrutura do dente antes mesmo de apresentar qualquer sintoma.
Neste artigo, você vai entender o que é a RCI, por que ela costuma passar despercebida e como o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico do dente.
O que é a Reabsorção Cervical Invasiva?
A Reabsorção Cervical Invasiva é um processo patológico em que células reabsortivas começam a destruir a estrutura dentária a partir da região cervical do dente, próxima à gengiva.
Diferentemente da cárie, que é causada por bactérias, a RCI é um processo de reabsorção do próprio tecido dentário. A lesão costuma avançar de forma irregular, contornando a polpa, que pode permanecer saudável por um longo período. Por isso, muitos pacientes não apresentam dor nem qualquer outro sinal clínico nas fases iniciais.
Quando os sintomas aparecem, frequentemente a destruição já é extensa e o tratamento se torna mais complexo.
Por que essa condição é tão difícil de diagnosticar?
A principal característica da RCI é justamente sua evolução silenciosa.
Na maioria dos casos, o diagnóstico acontece durante exames radiográficos de rotina ou tomografias realizadas por outro motivo. Muitas vezes, o paciente procura o dentista para tratar um dente diferente e acaba descobrindo uma lesão avançada em outro elemento, sem nunca ter percebido qualquer alteração.
Esse é um dos motivos pelos quais consultas periódicas e exames de imagem são fundamentais para preservar os dentes.
Um caso clínico
Recentemente, atendi uma paciente que não apresentava qualquer sintoma. A Reabsorção Cervical Invasiva foi identificada incidentalmente durante exames solicitados para outro dente.
Além da própria reabsorção, havia um desafio adicional: uma atresia do canal radicular no terço cervical, dificultando o acesso ao sistema de canais.
Mesmo diante dessa complexidade, foi possível localizar o canal radicular, remover cuidadosamente o tecido reabsortivo e realizar o selamento da área utilizando cimento biocerâmico, um material com excelente capacidade de vedação e biocompatibilidade.
A paciente permanece assintomática e segue em acompanhamento clínico e radiográfico.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença
Quanto mais cedo a Reabsorção Cervical Invasiva é identificada, maiores são as chances de preservar o dente e realizar um tratamento menos invasivo.
Como a doença frequentemente evolui sem causar dor, exames clínicos e radiográficos periódicos são essenciais para detectar alterações antes que elas comprometam grande parte da estrutura dentária.
Na odontologia, nem sempre a ausência de sintomas significa ausência de doença. Em muitos casos, um exame de rotina pode ser o responsável por salvar um dente.
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